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Prudência ou confiança? Perspectivas para o mercado varejista em 2024

Por: FCDL SÃO PAULO 27 de dezembro de 2023
Prudência ou confiança? Perspectivas para o mercado varejista em 2024

Em 2023, as ações do varejo enfrentaram consideráveis desafios. Os investidores foram confrontados, ao longo do ano, com informações sobre irregularidades contábeis, solicitações de recuperação judicial, esforços malsucedidos de reabilitação e, principalmente, resultados trimestrais abaixo do esperado. O desfecho dessa situação? As ações do setor lideraram a lista dos piores desempenhos no Ibovespa ao longo do ano.

Para o ano de 2024, há sinais de recuperação. A inflação, que prejudica o poder de compra das famílias e afeta as vendas no varejo, está perdendo força. Simultaneamente, a taxa de juros, que permaneceu em seu pico de 13,75%, iniciou um declínio. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano, com projeções indicando uma redução para 9,25% até o final do próximo ano, conforme apontado pelo Boletim Focus.

A convergência de taxas de juros e inflação mais baixas pode proporcionar um alívio para o setor varejista.

“O início de 2024 se mostra significativamente mais otimista para o varejo brasileiro”, afirma José Eduardo Daronco, analista da Suno Research. “Tudo indica que a trajetória de queda da Selic persistirá, dada a estabilidade da inflação. Além disso, a inadimplência atingiu seu ponto máximo no terceiro trimestre, o que impulsionará os bancos a retomar a concessão de crédito, exercendo um impacto positivo no consumo.”

A expectativa de juros mais baixos favorece os indicadores das varejistas, ao reduzir o custo da dívida para empresas mais endividadas. Isso ocorre enquanto a população amplia o acesso ao crédito, estimulando o consumo e impulsionando empresas nos setores de varejo, bens de consumo e serviços.

Entretanto, como em 2023, a análise microeconômica continuará crucial. Para Vitorio Galindo, analista de investimentos CNPI e líder de análise fundamentalista da Quantzed, mesmo a melhoria macroeconômica pode não ser suficiente para a recuperação de algumas ações no varejo.

“Aquelas varejistas que estão com estrutura de capital inadequada, altamente alavancadas e enfrentando despesas financeiras elevadas não serão totalmente beneficiadas pela melhoria macroeconômica. Embora seja positiva de maneira geral, não é possível generalizar e afirmar que todas terão um desempenho satisfatório”, adverte Vitorio Galindo.

Dessa forma, o cenário para o varejo em 2024 apresenta perspectivas otimistas impulsionadas por uma possível redução nas taxas de juros e controle da inflação. Contudo, a recuperação não será uniforme, exigindo uma análise minuciosa das condições individuais das empresas. Enquanto a melhoria macroeconômica pode aliviar algumas varejistas, aquelas com estruturas de capital desfavoráveis e elevada alavancagem enfrentarão desafios persistentes. A cautela, aliada a uma avaliação microeconômica criteriosa, será essencial para compreender o verdadeiro potencial de recuperação no dinâmico mercado varejista em constante evolução.

Fonte: e investidor

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