79% das famílias brasileiras estão endividadas!
Essa é a realidade apontada por um levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Dados da entidade mostram que consumidores estão fazendo mais contas no varejo, com carnês e cartões de lojas.
Para esse indicador, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), são consideradas dívidas a vencer em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa.
Segundo o levantamento, em agosto deste ano, quase oito em cada dez brasileiros tinham dívidas a vencer. O índice cresceu: passou de 78% em julho de 2022 para 79% no mês seguinte.
Já em comparação com o mesmo período do ano passado, quando o índice era de 72,9%, a alta foi de 6,1 ponto percentual.
A aceleração do endividamento em agosto ocorreu de forma semelhante nas duas faixas de renda pesquisadas, com leve destaque para os brasileiros com menor poder aquisitivo.
De acordo com o estudo, as famílias com até dez salários mínimos registram uma alta de 1,1 ponto percentual na contratação de dívidas com relação a julho (de 75% para 75,9%), frente a 0,9 ponto percentual das famílias mais ricas (de 78,8% para 79,9%).
Segundo os economistas da CNC, a melhora no mercado de trabalho e as políticas de transferência de renda mais robustas têm favorecido os rendimentos das famílias nas faixas mais baixas, mas a inflação em nível ainda elevado desafia o poder de compra desses consumidores. O crédito tem sido uma forma importante para eles sustentarem o consumo.
A novidade destacada na pesquisa é o crescimento, desde maio, do volume de pessoas endividadas nos carnês e cartões de lojas, chegando a 19,4% em agosto, uma alta de 0,5 ponto percentual frente a julho e de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.
As famílias com ganhos mais baixos estão buscando alternativas de crédito mais baratas por conta da elevação dos juros, e o cartão de crédito foi o tipo de dívida com a segunda maior alta dos juros médios em um ano até junho, 17 pontos percentuais, segundo dados do Banco Central. Por isso, o uso do cartão de crédito tem caído.
Entre homens e mulheres, o avanço mensal mais expressivo de endividamento foi para as pessoas do sexo masculino, com uma alta de 1 p.p. em relação a julho (de 77,5% para 78,3%).
No público feminino, o volume aumentou 0,5 p.p. (80,6% para 81,9%).
Já o número de pessoas que atrasam contas avançou pelo segundo mês seguido e atingiu 29,6% (+0,6 p.p. no comparativo com julho). O estudo também revelou que 10,8% afirmaram que não terão condições de pagar contas que já estão atrasadas, ou seja, irão permanecer na inadimplência.
A maioria dos consumidores que precisaram atrasar contas é de mulheres (31,6%) e de baixo grau de instrução (33,6% não concluíram o 2º grau).
A segunda alta consecutiva levou o indicador ao maior percentual da série histórica iniciada em 2010. A CNC aponta, entre as principais causas para o aumento, a injeção extra de renda às famílias, como os saques do FGTS e a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS.
Fontes: CNN Brasil, revista forum
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